| Domingo, 05 de setembro de 2010 - Hora: 7:52 |
O radicalismo e a intolerância
O PVC não tem espaço para pessoas radicais e intolerantes. Ele quer se pautar pela coerência e pelo bom senso, sempre.
Precisamos explicar aqui, a nossa visão de pessoa que faz parte deste perfil, para que o entendimento fique o mais claro possível.
O que é uma pessoa radical?
Os exemplos são inúmeros, mas vamos citar alguns:
Encontramos, todos os dias, pela internet, aquela pessoa enviando insistentes mensagens contra o Lula, atacando o Lula, xingando e ofendendo o Lula, etc. Para esse tipo de gente, o Lula, apenas o Lula e ninguém mais que ele, é o responsável exclusivo por todos os males que acontecem com o País. Pela sua postura, implicitamente ela quer dizer que todos os outros políticos são absolutamente honestos e que antes do Lula existir, com o poder que tem hoje, o nosso país não tinha corrupção, jogadas políticas, safadezas e tudo era uma maravilha.
Não é uma pessoa que pensa, pela sua incorporação ao ódio e ao radicalismo exarcebado.
Ao mesmo tempo, encontramos aquela pessoa que é radicalmente contra os militares, porque no seu discurso, os militares, todos, praticaram as absurdas torturas do período pós 1964, quando dos governos militares.
O bom senso sabe muito bem que não foram os militares que promoveram arbitrariedades, abuso da força, cerceamento das liberdades, torturas e muito menos assassinatos de pessoas, desaparecendo com os corpos que nem mesmo os seus familiares têm notícia. Apenas alguns militares foram responsáveis pelas atrocidades acontecidas no período.
Qualquer pessoa inteligente sabe que em todos os segmentos humanos existem pessoas desequilibradas, prepotentes, arrogantes, mal humoradas, chatas, violentas, perturbadas, que adoram pisar nos outros e diminuir os seus semelhantes. Foi o que aconteceu no período do governo militar, quando um contingente de imbecis resolveu descarregar todas as suas mágoas em cima daqueles os quais eles não gostavam.
Nesse universo, existiam generais que abusavam das suas patentes e transmitiam ordens, sem qualquer compromisso moral, aos seus subordinados que, por sua vez, eram obrigados a obedecerem, embora muitos deles, mas muitos mesmo, não obedeceram muitas, que eram verdadeiras manifestações de loucuras.
Tendo à sua disposição a baioneta, os tanques e os fuzis, eles faziam o que queriam.
O período foi de tanto abuso, que até as esposas de militares, naquele estilo bem "perua", geralmente mulheres sem maiores qualificativos morais, culturais e intelectuais, abusavam, onde chegavam, e invariavelmente pronunciava o famoso "Você não sabe com quem está falando".
De fato, houve muito abuso, muita perversidade e muito trauma foi proporcionado à vida de muita gente. Mas não foram todos os militares, foram os animais irracionais vestidos de fardas. Quem se dispuser a pesquisar, vai encontrar inúmeros generais, brigadeiros, almirantes, coronéis... sensatos, humanos, dignos, amáveis e que jamais, em toda a sua carreira militar, foram capazes de aplicar alguma punição a algum subordinado, movida por problemas pessoais, perseguição, traumas e conflitos íntimos.
É por isto que o bom senso recomenda: Existiu, como ainda existe, muito militar arbitrário e violento, mas nem todos eram como nem todos são.
Dentro da diversidade moral, humana, encontramos perturbados, canalhas, imorais, arbitrários, arrogantes e violentos entre os professores, advogados, engenheiros, médicos, feirantes, motoristas e cobradores de ônibus, sindicalistas, lojistas, religiosos... enfim, em todos os segmentos, sem distinção. Por que não encontraríamos no segmento militar, que é também humano?
Tão radical quanto aquele que generaliza os militares é aquele militar que, também, generaliza todos os homens defensores da liberdade de expressão e dos protestos contra o que está errado como subversivos, agitadores e comunistas, conforme ocorreu, muito, no período de governo militar.
O general arrogante e perturbado, de repente não ia com a cara de um determinado artista e determinava a sua prisão, sob a acusação de ser comunista, e os seus subordinados não podiam dizer nada, tinham que prender. Era um processo parecido com a inquisição, onde uma simples denúncia era o suficiente para levar alguém à fogueira.
Mas que tudo fique bem claro: Alguns militares e não todos os militares.
Nem todos os políticos são safados
O mesmo radicalismo é notado em grande parte da população, quando generaliza toda a classe política. De fato, é fácil concluir, pelas evidências e pelos exemplos, que a maioria dos componentes da classe político partidária de fato é comprometida com interesses escusos e pratica as safadezas que todos sabemos. Mas é importante que todos saibamos que os corruptores não precisam que todos os vereadores, deputados e senadores sejam safados, para atender aos seus interesses, basta que a a maioria seja, que já é o suficiente. Vale lembrar que basta que dois terços de um plenário seja sem vergonha, para que as propostas mais incoerentes sejam aprovadas e para que façam vista grossa quanto aos absurdos praticados no País.
Por que os bancos fazem o que querem no País, eles são os beneficiados pelas altas taxas de juros aqui praticadas, taxas essas que o próprio Banco Central (leia-se: Governo) nos empurra sob argumentação de ser útil à Nação, para conter a inflação? Por que não se vê o Congresso dar um basta nisto e, pelo menos, fazer com que os bilhões de reais arrecadados com os juros altos fiquem nos cofres públicos e não em poder dos bancos?
Porque a maioria é safada. A maioria é, mas nem todos.
Mas, todo banqueiro é também farinha do mesmo saco?
O bom senso recomenda que não, mas quem entra nesse segmento termina sendo pressionado por algum órgão de classe deles, para que faça as mesmas safadezas.
Você deve saber que se um dono de posto de combustível tentar vender a gasolina ou o álcool mais barato, com certeza vai sofrer pressão e até ameaça de morte por parte de outros proprietários de postos, no mesmo bairro. O mesmo acontece com o dono de padaria que se atreve a vender o pão mais barato.
Se você tem ódio do Partido PT, por exemplo, pergunte a você mesmo se não existe nenhuma história de corrupção e as mais sórdidas jogadas políticas no PMDB, PFL, PSDB, PTB, DEM, PCdoB e em todos os outros partidos. Sabemos muito bem que os escândalos dos dólares na cueca, os Delúbios e os Marcos Valérios da vida são do PT, mas não é só o PT que admite essas safadezas, todo o segmento político partidário tem figuras que fazem exatamente as mesmas coisas, muito antes do PT existir.
Discursos do tipo "Fora Lula" nada mais são que manifestações exatamente iguais ao "Fora FHC", "Fora Itamar", "Fora Collor", "Fora Sarney", "Fora Militares", "Fora Jango", "Fora Juscelino" etc... Não leva a absolutamente nada.
O bom senso e a inteligência recomendam que o relevante não é o fora Lula, fora Collor e nem fora Jango, é o Fora a Corrupção, fora a Safadeza, fora a Pouca Vergonha, fora a Canalhice e o mau caratismo de TODOS OS PARTIDOS, de TODOS os políticos e de TODOS os vícios da política brasileira.
Ao radical do "Fora Lula", questionemos: "Se o Lula renunciasse, hoje, ou fosse deposto por algum golpe, a sua inteligência imagina que a corrupção seria banida do País e, já no dia seguinte, todos os demais políticos passariam a ser santinhos?"
O mesmo questionamento é levado àqueles que pichavam e pronunciavam o "Fora FHC", para que levem à apreciação do bom senso: "O Fernando Henrique já saiu do governo, há quase 8 anos. Por acaso, a corrupção, que também existia no seu tempo, acabou?".
E os jovens que foram teleguiados a pintarem as caras, para protestarem contra a saída do Collor, por acaso, viram a corrupção ser banida do País, depois que ele foi afastado do governo?
É importante que esses, que sempre se limitam a palavras de ordem, a passeatas e a pichações do tipo "Fora Fulano", saibam que existem diversos políticos, que continuam no Congresso Nacional ou com todos os poderes nos seus estados, há mais de dez, vinte ou trinta anos, que foram e continuam sendo praticantes das mais sórdidas corrupções, jogos de influência, negociatas e safadezas, geralmente riquíssimos, em seus Estados, em razão disto, e todo mundo finge que não os está vendo.
Conclusão
O radical, que é também inconseqüente, é aquele elemento, geralmente de inteligência limitada, que, movido pelo ódio contra um determinado político, foca todos os motivos dos males nele. Existe também o idiota endeuzador de determinados líderes ou partidos, que vê o seu líder como se fosse o próprio Deus. Exemplo disto é quando você vê determinados militares do PT levantarem a voz para dizerem que casos como os dólares na cueca, os Delúbios e vários outros escândalos denunciados não tiveram nada de errado e que foi perseguição ao partido.
O radical só consegue ver defeitos nos seus contrários, sendo incapaz de aplaudi-los e reconhecê-los, quando acertam.
O PVC não pode ter lugar para esse tipo de gente.