| Domingo, 05 de setembro de 2010 - Hora: 8:14 |
A questão dos juros altos
Este é um outro problema, político, que merece a nossa reflexão.
Analisemos bem, esta questão.
Conforme todos sabemos, o Brasil é o país onde se pratica os mais altos juros do mundo.
Toda vez que o governo é questionado, acerca disto, qual é a argumentação que ele apresenta?
- "Não podemos baixar os juros, por causa do perigo de inflação"
É isto que a gente ouve, o tempo todo.
Então, embora não podemos admitir que praticar juros altos seja a única forma de evitar inflação, partimos do princípio que a questão dos juros altos é uma necessidade de governo, portanto, algo imprescindível para a Nação, concorda?
Pois bem. Se há juros altos, é sinal que a população está pagando esses juros, e que muito dinheiro, mas muito dinheiro mesmo, está sendo movimentado no País, por conta deles.
Agora que vem o grande questionamento:
Quem é que está ganhando com a onda de juros altos que, pela conclusão que a gente chega, é uma questão de governo?
Se é uma necessidade de governo, consequentemente uma necessidade da Nação, quem teria que ficar com o dinheiro advindo desta prática, deveria ser o País, não é mesmo?
Entretanto, o pior é que esse dinheiro não entra para o erário e sim para os bancos!
Ora. Tem sentido o povo brasileiro fazer sacrifício, em pagar juros altos, para atender os interesses da Nação, e os bancos lucrarem com isto?
Isto que é revoltante.
Aplicando uma didática ao alcance de todos, deixe-nos explicar bem esta situação:
Faz de conta que vivamos, numa época de juros normais (vamos chamar assim, juros normais), como aquilo que é praticado em qualquer país civilizado e coerente, é natural que os bancos tenham seus lucros e ganhem seus dinheiros, já que é um negócio como outro qualquer, absolutamente lícito, é uma necessidade do cidadão a existência do banco, é natural a pessoa tomar o seu empréstimo e pagar os juros por isto. Não resta a menor dúvida. Temos que entender que é lícito, sim, o banco ganhar dinheiro e lucrar.
Então, nessa exemplificada época de juros normais, exemplificando em números redondos, faz de conta que a instituição bancária tenha um lucro de 1 bilhão de reais, por conta dos JUROS cobrados.
Tudo bem, o dinheiro seria dele, o banco, e ele faria o que quisesse, destinando-o para onde achar melhor.
De repente inverte-se o quadro e o País passa a ter a necessidade da prática dos juros altos.
Os juros pagos, obviamente, entram através dos bancos, que passam a lucrar não apenas 1 bilhão, mas 10 bilhões de reais.
É aí que está o grande problema, que não dá para aceitar:
Por que esses 10 bilhões de reais têm que pertencer ao banco?
Por que, desse valor elevado, não é retirado aquilo que caberia ao banco e o restante fosse destinado aos cofres públicos?
No caso do exemplo, dos 10 bilhões de reais, tirar-se-ia 1 bilhão de reais e deixaria para o banco, já que é justo ele ganhar, conforme já foi citado, e os outros 9 bilhões de reais seriam recolhidos ao erário.
Não é justo?
Essa dinheirama toda não entrou, somente por causa de uma necessidade de governo?
Este é o grande problema que não dá para entender
Você já percebeu que não aparecem deputados e senadores falando sobre isto?
Reparou que não aparece um daqueles "gritadores" de oposição, que levante a bandeira, energicamente, contra isto?
Por que motivo, ninguém fala contra?
Só no primeiro semestre de 2008, o BRADESCO teve R$ 4.105 bilhões de reais de lucro, o Banco do Brasil lucrou R$ 4.276 bilhões. Agora vá imaginando os lucros da Caixa Econômica Federal e demais bancos, some tudo e conclua quanto deveria ter entrado para o tesouro nacional, e não entrou.
Já imaginou quanta obra poderia ser feita, quantas estradas construídas ou reformadas?
Mas construir estradas deixou de ter importância na área governamental, haja vista a onda dos pedágios, onde tem gente ganhando, também, à custa da população, que é bi-tributada, já que paga IPVA e paga, novamente, para trafegar nas estradas.
O grande questionamento é: Por que ninguém mexe na questão dos juros altos? Quem ganha com isto, além dos bancos?
A crise internacional e os juros altos do Brasil
No segundo semestre de 2008 surgiu a grande bomba, explodida nos Estados Unidos, que foi esta crise econômica que aí está, de abrangência mundial. Todo o mundo foi afetado, a economia americana com prejuízos nas casas dos trilhões de dólares, a Europa inteira sofrendo, a China e todo o universo asiático, o Japão... enfim, todo mundo sofrendo conseqüências, inclusive o Brasil.
O detalhe a ser observado é:
Todo o mundo baixou os seus juros, que não não eram altos, como os nossos, mas o Brasil não.
Por quais razões?
Que os nossos economistas possam se achar melhores do que os de um, de dois ou de três países, seria até natural, mas se acharem melhores do que todos os economistas, de todo o mundo, é o fim da picada. Não é estranho?
Por que insistem tanto em mantê-los desta forma?
Por que quando o vice-presidente José Alencar, defensor da redução dos juros, fala sobre isto, todo mundo apenas sorri, como se o assunto fosse brincadeira, ou piada, leva na gozação, muda de assunto e fica por isto mesmo?
Será que os 9 bilhões de reais, do exemplo que foi dado, fica todo em poder dos bancos?
Fica aí, então, para que a sua inteligência tire as conclusões.