| Domingo, 05 de setembro de 2010 - Hora: 8:13 |
DOUTOR CONTRIBUINTE
Heródoto Barbeiro
Quanto você paga pelo seu plano de saúde? Se for individual é uma fortuna e aumenta na media que fica mais velho, se for em grupo, como nas empresas, o valor é menor. De uma forma ou de outra todo mundo que é atendido pelo plano de saúde tem que ter a sua carteirinha e um livro com os médicos e hospitais conveniados.
Alguns também têm dentistas. É assim também para os parlamentares em Brasília, contudo... senadores e deputados federais podem optar pelo ressarcimento do gasto com despesa médica. Eu explico.Ele pode escolher o melhor médico e o melhor hospital do Brasil, apresentar a nota fiscal ou o recibo e recebe integralmente de volta tudo o que gastou. Não é uma maravilha? E é extensivo aos seus familiares, é claro.
Só para refrescar a sua memória o senador Renam Calheiros gastou, e recuperou, R$19.500 reais de um tratamento dentário de sua esposa.Eu disse esposa. E por aí vai. Portanto, além dos custos diretos por parlamentar, ! há também os custos de saúde. E por que não usam o sistema de carteirinha que já existe no Congresso? Não sei, talvez você poderia perguntar isso diretamente para o seu deputado federal ou senador no senado.com.br ou câmara.gov.br. Afinal, jornalista não tem respostas para tudo.
Não querendo polemizar, já polemizando, vai aí aquela perguntinha que não quer calar: por que eles não usam os serviços públicos do SUS?
O Serviço Único de Saúde é melhor ou pior porque depende das resoluções dos governos. Seria uma boa experiência uma excelência buscar atendimento do SUS, sentar-se ao lado da população, conversar com os pacientes, médicos, diretores dos serviços e, literalmente, avaliar na própria carne como isto tudo está funcionando, o que poderia melhorar.
Você já encontrou alguma excelência no SUS? Certamente deve haver uma ou outra exceção, mas regra geral creio que eles preferem o atendimento particular, até para não sobrecarregar o sistema público, deixando mais espaço para a população de uma forma geral.
Uma vez fiz uma entrevista com um ministro da educação que defendia ardorosamente a escola pública, sua qualidade, importância social, etc. e lá pelas tantas perguntei-lhe se os seus netos estudavam em escola pública. Fez-se silêncio. Aí perguntei se seus filhos tinham estudado em escola pública e ele muito constrangido disse que não. Insisti se tudo era tão bom, bonito e eficiente como ele defendia porque não colocar os próprios parentes?
Sobra para o contribuinte como sempre. No ano passado pagamos um trilhão de reais de impostos. Aí vem uma excelência e diz que o que gastam é muito pouco diante dessa montanha de dinheiro. Aí vem outra e diz que um outro gasto também é irrelevante e assim vai, milhares e milhares de "pequenos " gastos são contabilizados nas alíquotas mais estranhas do orçamento nos três níveis.
O doutor contribuinte tem que se socorrer ou do SUS ou do seu plano particular de saúde, e nem se quer pode recorrer ao ambulatório equipadíssimo que já existe no Congresso a disposição das excelências.
Vou repetir mais uma vez que a democracia não tem preço, mas o parlamento britânico custa dez vezes menos que o parlamento brasileiro, o americano cinco vezes menos.
Outra perguntinha impertinente, em que planeta vivem as excelências? Eu repondo, em um planeta parecido com o do Pequeno Príncipe, onde elas não são cobradas por ninguém, nem na rua, nem nas festas públicas, nem na internet, nem em lugar nenhum. Não é uma maravilha? E até quando você, eu e a nossa comunidade vamos ficar de braços cruzados?
A alternativa é se juntar em grupo, fundar uma associação e agir, esclarecer a comunidade, formar batalhões de internautas, incentivar um cerco democrático e cidadão nas mordomias, pressionar civilizadamente as excelências, "pero sin perder la ternura jamas".
Obrigado
Equipe H.B