Carta aos Senadores

Sobre a proposta de aumento do número de vereadores


 

Diante da estúpida proposta, aprovada pelo Senado e amplamente divulgada pela imprensa, do aumento de vereadores, para mais sete mil membros, em nosso País, acabei de enviar este manifesto ao Senador Garibaldi Alves, na condição de Presidente do Congresso Nacional, com cópia direta para os outros Senadores que fazem parte da Diretoria do Congresso, em veemente protesto, procurando fazer a minha parte, como brasileiro não omisso.

Conforme todos sabemos, já existe vereador demais em nosso País, e não existe nada que 50 vereadores fazem que 10 não possam fazer. Será que essa proposta do Senado não é um absurdo? De onde virá o dinheiro para pagar esses novos vampiros, se os os municípios vivem chorando miséria de nunca terem dinheiro para as suas necessidades básicas?

Caso você concorde que isto é, realmente, um absurdo, sugiro que também mande a sua manifestação para os senhores Senadores (os e-mails deles estão aí abaixo), bem como para os políticos que você votou na última eleição, e também para os elementos de imprensa que, por ventura, você venha a conhecer.

Será que não está na hora de nós brasileiros pararmos de dizer amém e de vivemos calados em relação as arbitrariedades da viciada política brasileira?

Para a sua apreciação.

 

Alamar Régis Carvalho

alamar@redevisao.net

 

Santos, 19 de dezembro de 2008.

 

De: Alamar Régis Carvalho

Para: Exmo. Sr. Garibaldi Alves - garibaldi.alves@senador.gov.br

Presidente do Congresso Nacional

Assunto: Aumento do número de vereadores

 

Cópias: Senadores da Comissão Diretora do Senado

Tião Viana – 1º Vice-Presidente – tiao.viana@senador.gov.br

Álvaro Dias – 2º Vice-Presidente – alvarodias@senador.gov.br

Efraim Morais – 1º Secretário – efraim.morais@senador.gov.br

Gerson Camata – 2º Secretário – gecamata@senador.gov.br

César Borges – 3º Secretário – cesarborges@senador.gov.br

Magno Malta – 4º Secretário – magnomalta@senador.gov.br

 

 

Senhor Presidente:

 

Eu já sou conhecido seu, embora, tudo indica, o senhor não se lembre. Fomos apresentados, no palco do Centro de Convenções de Natal, há alguns anos atrás, por ocasião de um Congresso Espírita, coordenado pela nossa amiga Dra. Mércia Carvalho, quando o senhor era Governador do Rio Grande do Norte. Tivemos, inclusive, oportunidade de bater um agradável papo, naquele momento.

Esta carta que dirijo ao senhor, com cópia para os Senadores que fazem parte da Diretoria do Senado, eu gostaria muito que fosse levada ao conhecimento dos demais senadores e membros do Congresso Nacional, embora eu duvide muito que a manifestação isolada de UM brasileiro possa ser relevante para essa instituição.

Esta relevância não é a minha preocupação maior, já que quero, apenas, ter a consciência de ter feito a minha parte, enquanto brasileiro, não postando-me como omisso, diante de tamanho absurdo, aprovado pelo Senado, certo de que pelo menos pouco mais de cem mil leitores assíduos, diretos, tomarão conhecimento deste meu manifesto, fora as retransmissões de e-mails, que fogem ao meu controle.

Mas vamos ao assunto, Senador:

Que diabo de maluquice é essa que o Senado Federal se deixou envolver, com essa insensata, inconseqüente e irresponsável aprovação do aumento do número de vereadores em nosso País?

Deu alguma paranóia geral nos senadores?

Perderam a lucidez, foram influenciados por algum processo obsessivo coletivo ou estão dispostos, conscientemente, a subestimarem a inteligência do brasileiro?

Não dá para entender como pode o senhor, que declarou, assim que ascendeu ao cargo de presidente dessa casa, a disposição de resgatar a respeitabilidade do Congresso Nacional, admitir que uma proposta tão ridícula fosse levada a discussão no respeitável plenário do Senado e ainda por cima ser aprovado.

Neste momento, onde a sensatez e a coerência sugerem que os senhores apresentem uma proposta para redução do absurdo número de vereadores, que já é grande demais, que já demanda em recursos demais dos municípios, os senhores vêm propor aumento deste número?

Parece brincadeira, Senador.

Para que o Brasil quer mais sete mil vereadores, Senador Garibaldi?

O que é que esse acréscimo vai fazer de útil aos municípios, que os que já estão em mandato não podem fazer?

Façam uma enquête, em nível nacional, utilizando os mais conhecidos sites de internet, pesquisa do IBOPE, DATAFOLHA e do IBGE (se não for manipulado), para verem se o povo quer mesmo esse inexplicável aumento.

Não é possível que os senhores, políticos experientes, não tenham idéia de quanto custa cada vereador neste Brasil, o País que tem o parlamentar mais caro do mundo.

Salários elevadíssimos, gratificações absurdas, assessores, chefes de gabinete... e tanta rubrica que a gente conhece. Tenho certeza de que mais de noventa por cento da população brasileira repudiará essa maluca idéia!

Já imaginou a quantidade de novos “salários esposa”, “salário paletó” e outros que terão, por exemplo, na Câmara dos Vereadores de São Paulo, onde um ascensorista ganha mais do que qualquer médico qualificado neste País?

É uma estupidez, senhor Senador!

Exatamente em um momento difícil, quando o Brasil sofre, também, conseqüências da terrível crise econômica de abrangência mundial, os Senadores, tudo indica gozando de conforto e recursos inatingíveis por qualquer crise, afrontam o País com uma proposta dessa?

É uma vergonha, Senador Garibaldi! É a manifestação da absoluta indiferença em relação aos problemas do povo, que os senhores dizem representar.

Em um País onde todos os Municípios se queixam de carência de recursos, recorrem-se à Brasília, de “pires na mão”, apelando por mais repasses de verbas para as necessidades básicas, alegando não terem dinheiro para aplicar na educação, saúde, segurança pública, recuperação de ruas, limpeza pública, conservação do patrimônio público e falta de condições para o saneamento básico, os senhores vêm propor aumentar o número de vereadores??????

Essa nova despesa será paga com que dinheiro, Senador?

Ou será que os senhores políticos pretendem incrementar mais a indústria dos impostos e das multas, para extorquir mais este povo que hoje paga, também, a maior carga tributária do mundo?

Será que não é hora da nossa classe política, tão desmoralizada pelos repetidos escândalos que se traduzem em manchetes na imprensa, todas as semanas, ter um pouco de juízo e até de vergonha na cara?

Desculpe-me, meu ilustre Senador Garibaldi, esta carta não tem o intuito de ofensa dirigida à sua pessoa, a qual, pelo que sou informado, trata-se de um homem de bem, com histórico honroso no seu Rio Grande do Norte, segundo me passaram alguns amigos comuns. Mas é um manifesto para toda a classe política, dirigida ao homem que, simbolicamente, dirige a maior instituição política do nosso País, que é o Congresso Nacional.

Peço ao senhor, mais uma vez, que, antes de decisões estúpidas como essa, faça a consulta nacional, já que a tecnologia nos possibilita isto com muita facilidade e até baixíssimo custo, haja vista a eficiência da internet e dos veículos de comunicação de massa.

Acho conveniente, para refrescar a memória, relembrarmos algumas citações de alguns notáveis da nossa história:

  • Do Ex-Senador, Bernardo Cabral – “O Senado tem de deixar de ser catedral na frente e bordel nos fundos”.

  • Mário Covas, também ex-membro dessa casa, afirmou – “Um político deve saber que o povo só quer a verdade”.

  • Do célebre Thomas Jefferson – “Só o erro é que precisa de apoio do governo. A verdade, essa é que fica de pé por si própria”.

  • De L. Dumur – “A política é a arte de nos servirmos dos homens, dando-lhes a crer que os servimos”.

  • Mark Twain diz: “Em questões de Estado, cuide das formalidades e pode esquecer as moralidades”. Será que não é isto que está acontecendo na nossa atual política?

  • Menotti del Picchia diz: “Política é a arte de conciliar os interesses próprios, fingindo conciliar os dos outros”. Será que o Menotti não tem razão, Senador?

  • Finalmente, recorramos a Voltaire, quando diz: “É perigoso ter razão em assuntos sobre os quais as autoridades estabelecidas estão erradas”. Será que eu estou correndo algum perigo em enviar este manifesto?

Somos um país de maioria irracional e insensata, não resta a menor dúvida. A maioria que troca o seu voto por alguma esmola que lhe é dada, o que dá um certo conforto à classe política viciada que faz o que quer com esse segmento populacional, chamado maioria (que garante as eleições), já que ele não é possuidor de capacidade de raciocinar, discernir e projetar as conseqüências que advirão pelas atitudes de políticos que, expondo as dentaduras em sorrisos teatralizados, apenas dizem que está tudo bem,  para aplicarem as conveniências partidárias. Só que nem todo brasileiro é acéfalo, nem todo brasileiro é idiota e nem todo brasileiro é besta.

A Nação apela por bom senso, Senador. A Nação apela por coerência, patriotismo, decência, juízo, comprometimento com valores elementares de moralidade...

 

Aumentando o número de vereadores,

Estarão aumentando as dores,

Que advirão na sua cidade.

Se o anseio político é por aumentar,

Convém a todo parlamentar,

O aumento da sua dignidade.

 

Neste momento conturbado,

Com tanto político perturbado,

Que o nosso Congresso traduz.

Apelemos para que todos acordem,

Embora nem todos concordem,

Tiremos a Nação dessa cruz.

 

Nos vazios dos corações,

Dos políticos de contradições,

Onde se prega a fidelidade.

O maior compromisso partidário,

Que se espera do político solidário,

É com o partido da dignidade.

 

Diante deste novo processo,

Que tramita em nosso Congresso,

Ao povo não se admite omitir.

Diante de tantos abusos,

Com tantos interesses escusos,

A Nação nos convoca a agir.

 

Precisamos de mais patriotismo,

A combater o grande banditismo.

Que se instala de forma sutil.

É preciso a coragem desta gente,

Altaneira e destemidamente,

A lutar pela moral no Brasil.

 

Que não se entenda como luta armada,

Em nossa Pátria idolatrada,

Onde reina uma nova consciência.

Neste atual momento,

A arma é o nosso argumento,

De base moral e inteligência.

 

Revejamos os nossos valores,

Para que não sejamos desertores,

Dos compromissos morais assumidos.

Espera-se de uma população altaneira,

Que fale mais alto a cor da bandeira,

Que a coloração dos partidos.

 

Que todo brasileiro se levante,

Sacuda a poeira e se agigante,

Pois é chegada a hora de lutar.

O voto apenas não é suficiente,

Porque um povo inteligente,

Elege, mas tem que participar.

 

A omissão é um grave pecado,

Que para sempre fica marcado,

No fundo do nosso coração.

Se tu dizes nada tenho a ver com isso,

Amanhã certamente estarás contriço,

Do terrível mal que fizestes à Nação.

 

Hasteemos a nossa bandeira,

Por esta Nação inteira,

Com o mais puro compromisso civil.

No verde amarelo do sentimento,

Tão necessário no momento,

Brademos: Viva o Brasil !!!!

 

 

Respeitosamente.

 

Alamar Régis Carvalho

Analista de Sistemas e Escritor

alamar@redevisao.net

Orkut: alamarregis

www.redevisao.net 

 

 

     Se você achar que deve passar em frente, fique a vontade.

 

                     Carinhosamente.

 

                                           Alamar Régis Carvalho
                                        
 Analista de Sistemas e Escritor

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