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Santos, 19 de dezembro de 2008.
De: Alamar
Régis Carvalho
Para:
Exmo. Sr. Garibaldi Alves -
garibaldi.alves@senador.gov.br
Presidente do
Congresso Nacional
Assunto:
Aumento do número de vereadores
Cópias: Senadores da Comissão
Diretora do Senado
Tião Viana – 1º Vice-Presidente –
tiao.viana@senador.gov.br
Álvaro Dias – 2º Vice-Presidente –
alvarodias@senador.gov.br
Efraim Morais – 1º Secretário –
efraim.morais@senador.gov.br
Gerson Camata – 2º Secretário –
gecamata@senador.gov.br
César Borges – 3º Secretário –
cesarborges@senador.gov.br
Magno Malta – 4º Secretário –
magnomalta@senador.gov.br
Senhor Presidente:
Eu já sou conhecido seu, embora, tudo
indica, o senhor não se lembre. Fomos apresentados, no palco do Centro
de Convenções de Natal, há alguns anos atrás, por ocasião de um
Congresso Espírita, coordenado pela nossa amiga Dra. Mércia Carvalho,
quando o senhor era Governador do Rio Grande do Norte. Tivemos,
inclusive, oportunidade de bater um agradável papo, naquele momento.
Esta carta que dirijo ao senhor, com cópia
para os Senadores que fazem parte da Diretoria do Senado, eu gostaria
muito que fosse levada ao conhecimento dos demais senadores e membros
do Congresso Nacional, embora eu duvide muito que a manifestação
isolada de UM brasileiro possa ser relevante para essa
instituição.
Esta relevância não é a minha preocupação
maior, já que quero, apenas, ter a consciência de ter feito a
minha parte, enquanto brasileiro, não postando-me como omisso,
diante de tamanho absurdo, aprovado pelo Senado, certo de que pelo
menos pouco mais de cem mil leitores assíduos, diretos, tomarão
conhecimento deste meu manifesto, fora as retransmissões de e-mails,
que fogem ao meu controle.
Mas vamos ao assunto, Senador:
Que diabo de maluquice é essa que o Senado
Federal se deixou envolver, com essa insensata, inconseqüente e
irresponsável aprovação do aumento do número de vereadores em nosso
País?
Deu alguma paranóia geral nos senadores?
Perderam a lucidez, foram influenciados
por algum processo obsessivo coletivo ou estão dispostos,
conscientemente, a subestimarem a inteligência do brasileiro?
Não dá para entender como pode o senhor,
que declarou, assim que ascendeu ao cargo de presidente dessa casa, a
disposição de resgatar a respeitabilidade do Congresso Nacional,
admitir que uma proposta tão ridícula fosse levada a discussão no
respeitável plenário do Senado e ainda por cima ser aprovado.
Neste momento, onde a sensatez e a
coerência sugerem que os senhores apresentem uma proposta para
redução do absurdo número de vereadores, que já é grande demais,
que já demanda em recursos demais dos municípios, os senhores vêm
propor aumento deste número?
Parece brincadeira, Senador.
Para que o Brasil quer mais sete mil
vereadores, Senador Garibaldi?
O que é que esse acréscimo vai fazer de
útil aos municípios, que os que já estão em mandato não podem fazer?
Façam uma enquête, em nível nacional,
utilizando os mais conhecidos sites de internet, pesquisa do IBOPE,
DATAFOLHA e do IBGE (se não for manipulado), para verem se o povo quer
mesmo esse inexplicável aumento.
Não é possível que os senhores, políticos
experientes, não tenham idéia de quanto custa cada vereador neste
Brasil, o País que tem o parlamentar mais caro do mundo.
Salários elevadíssimos, gratificações
absurdas, assessores, chefes de gabinete... e tanta rubrica que a
gente conhece. Tenho certeza de que mais de noventa por cento da
população brasileira repudiará essa maluca idéia!
Já imaginou a quantidade de novos
“salários esposa”, “salário paletó” e outros que terão, por exemplo,
na Câmara dos Vereadores de São Paulo, onde um ascensorista ganha mais
do que qualquer médico qualificado neste País?
É uma estupidez, senhor Senador!
Exatamente em um momento difícil, quando o
Brasil sofre, também, conseqüências da terrível crise econômica de
abrangência mundial, os Senadores, tudo indica gozando de conforto e
recursos inatingíveis por qualquer crise, afrontam o País com uma
proposta dessa?
É uma vergonha, Senador Garibaldi! É a
manifestação da absoluta indiferença em relação aos problemas do povo,
que os senhores dizem representar.
Em um País onde todos os Municípios se
queixam de carência de recursos, recorrem-se à Brasília, de “pires na
mão”, apelando por mais repasses de verbas para as necessidades
básicas, alegando não terem dinheiro para aplicar na educação, saúde,
segurança pública, recuperação de ruas, limpeza pública, conservação
do patrimônio público e falta de condições para o saneamento básico,
os senhores vêm propor aumentar o número de vereadores??????
Essa nova despesa será paga com que
dinheiro, Senador?
Ou será que os senhores políticos
pretendem incrementar mais a indústria dos impostos e das multas, para
extorquir mais este povo que hoje paga, também, a maior carga
tributária do mundo?
Será que não é hora da nossa classe
política, tão desmoralizada pelos repetidos escândalos que se traduzem
em manchetes na imprensa, todas as semanas, ter um pouco de juízo e
até de vergonha na cara?
Desculpe-me, meu ilustre Senador
Garibaldi, esta carta não tem o intuito de ofensa dirigida à sua
pessoa, a qual, pelo que sou informado, trata-se de um homem de bem,
com histórico honroso no seu Rio Grande do Norte, segundo me passaram
alguns amigos comuns. Mas é um manifesto para toda a classe política,
dirigida ao homem que, simbolicamente, dirige a maior instituição
política do nosso País, que é o Congresso Nacional.
Peço ao senhor, mais uma vez, que, antes
de decisões estúpidas como essa, faça a consulta nacional, já que a
tecnologia nos possibilita isto com muita facilidade e até baixíssimo
custo, haja vista a eficiência da internet e dos veículos de
comunicação de massa.
Acho conveniente, para refrescar a
memória, relembrarmos algumas citações de alguns notáveis da nossa
história:
-
Do Ex-Senador, Bernardo Cabral –
“O Senado tem de deixar de ser catedral na
frente e bordel nos fundos”.
-
Mário Covas, também ex-membro dessa
casa, afirmou – “Um político deve saber
que o povo só quer a verdade”.
-
Do célebre Thomas Jefferson –
“Só o erro é que precisa de apoio do
governo. A verdade, essa é que fica de pé por si própria”.
-
De L. Dumur –
“A política é a arte de nos servirmos dos
homens, dando-lhes a crer que os servimos”.
-
Mark Twain diz:
“Em questões de Estado, cuide das
formalidades e pode esquecer as moralidades”. Será que
não é isto que está acontecendo na nossa atual política?
-
Menotti del Picchia diz:
“Política é a arte de conciliar os
interesses próprios, fingindo conciliar os dos outros”.
Será que o Menotti não tem razão, Senador?
-
Finalmente, recorramos a Voltaire,
quando diz: “É perigoso ter razão em
assuntos sobre os quais as autoridades estabelecidas estão erradas”.
Será que eu estou correndo algum perigo em enviar este manifesto?
Somos um país de maioria irracional e
insensata, não resta a menor dúvida. A maioria que troca o seu voto
por alguma esmola que lhe é dada, o que dá um certo conforto à classe
política viciada que faz o que quer com esse segmento populacional,
chamado maioria (que garante as eleições), já que ele
não é possuidor de capacidade de raciocinar, discernir e projetar as
conseqüências que advirão pelas atitudes de políticos que, expondo as
dentaduras em sorrisos teatralizados, apenas dizem que está tudo bem,
para aplicarem as conveniências partidárias. Só que nem todo
brasileiro é acéfalo, nem todo brasileiro é idiota e nem todo
brasileiro é besta.
A Nação apela por bom senso, Senador. A
Nação apela por coerência, patriotismo, decência, juízo,
comprometimento com valores elementares de moralidade...
Aumentando o número de
vereadores,
Estarão aumentando as
dores,
Que advirão na sua cidade.
Se o anseio político é por
aumentar,
Convém a todo parlamentar,
O aumento da sua
dignidade.
Neste momento conturbado,
Com tanto político
perturbado,
Que o nosso Congresso
traduz.
Apelemos para que todos
acordem,
Embora nem todos
concordem,
Tiremos a Nação dessa
cruz.
Nos vazios dos corações,
Dos políticos de
contradições,
Onde se prega a
fidelidade.
O maior compromisso
partidário,
Que se espera do político
solidário,
É com o partido da
dignidade.
Diante deste novo
processo,
Que tramita em nosso
Congresso,
Ao povo não se admite
omitir.
Diante de tantos abusos,
Com tantos interesses
escusos,
A Nação nos convoca a
agir.
Precisamos de mais
patriotismo,
A combater o grande
banditismo.
Que se instala de forma
sutil.
É preciso a coragem desta
gente,
Altaneira e
destemidamente,
A lutar pela moral no
Brasil.
Que não se entenda como
luta armada,
Em nossa Pátria
idolatrada,
Onde reina uma nova
consciência.
Neste atual momento,
A arma é o nosso
argumento,
De base moral e
inteligência.
Revejamos os nossos
valores,
Para que não sejamos
desertores,
Dos compromissos morais
assumidos.
Espera-se de uma população
altaneira,
Que fale mais alto a cor
da bandeira,
Que a coloração dos
partidos.
Que todo brasileiro se
levante,
Sacuda a poeira e se
agigante,
Pois é chegada a hora de
lutar.
O voto apenas não é
suficiente,
Porque um povo
inteligente,
Elege, mas tem que
participar.
A omissão é um grave
pecado,
Que para sempre fica
marcado,
No fundo do nosso coração.
Se tu dizes nada tenho a
ver com isso,
Amanhã certamente estarás
contriço,
Do terrível mal que
fizestes à Nação.
Hasteemos a nossa
bandeira,
Por esta Nação inteira,
Com o mais puro
compromisso civil.
No verde amarelo do
sentimento,
Tão necessário no momento,
Brademos: Viva o Brasil
!!!!
Respeitosamente.
Alamar Régis Carvalho
Analista de Sistemas e Escritor
alamar@redevisao.net
Orkut: alamarregis
www.redevisao.net
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